VIOLÊNCIA



este é um país não somente mentiroso, mas de má-fé: falam o tempo inteiro em violência (a “principal preocupação dos brasileiros”), como se essa violência propalada fosse a causa de alguma coisa. a violência é o feixe final, não da “atuação de traficantes”, mas da exploração em todas as instâncias, da brutal extração da mais-valia, da coisificação em todas as relações, da mercantilização de tudo: e da necessidade de tudo isso para o “sistema funcionar”: sem todas as “causas suficientes” não há capitalismo; sem todas as violências não há o que todos querem, o que todos se venderam e se vendem com os dentes expostos, para querer e possuir. a violência é um dos sintomas principais de que tudo segue a normalidade produtiva, a normalidade de consumo, a normalidade institucional e as normalidades imaginárias que fazem do brasileiro, o brasileiro. e se não fosse assim porque os milhões de famintos, violentados, desempregados, os sem-nada, não descem dos morros, são saem das periferias, não tomam para si o que saem do seu suor: porque são cúmplices: fazem parte como gado da violência necessária para que o sistema funcione, aquele mesmo que ele defende, procria e difunde.


Alberto Lins Caldas


BURRO MORTO - VARADOURO EP - 2008
http://www.mediafire.com/?j5hr6teh505kk2p

12 Comments:

At 25 de janeiro de 2009 às 05:40, Anonymous Leandro Pinto said...

Mais um intelectual para a coleção "bandidos e letrados".

O sujeito mata, quebra, arruína, estupra, queima, provoca o maior escarcéu, mas isso é somente um reflexo do "sistema", das "relações socias", do "mercado", da "mídia", o sujeito mesmo é somente uma "pobre criatura explorada por uma sociedade injusta".

O plano de idéias onde se situa a maior parte dos textos de Alberto Lins Caldas ainda é o marxismo.

Por mais que ele se esforçe, não consegue ultrapassar este plano. Está mergulhado na mentalidade revolucionária, no imaginário da luta de classes, na aversão ao cristianismo.

É mais um membro do "Imbecil Coletivo", isto é, o ambiente normal e rotineiro onde se inscrevem as atividades culturais no Brasil.

O antídoto, para quem não quiser ficar a vida inteira prostrado na estupidez, se chama Olavo de Carvalho.

 
At 25 de janeiro de 2009 às 10:38, Anonymous Fiume420 said...

Leandro e sua fixação por Olavo de Carvalho.

 
At 26 de janeiro de 2009 às 10:32, Anonymous Luiz said...

O Leandro, cá pra nós...Você escreve eses absurdos aí só pra tirar um sarrinho da gente né...Que piadista...

 
At 26 de janeiro de 2009 às 11:00, Anonymous Na verdade eu said...

Leandro e sua fixação por Olavo do Caralho.

 
At 27 de janeiro de 2009 às 00:14, Anonymous paiferro said...

heheheeee...Sempre nômades, ciganos, andarilhos...sempre a procura de pulmões novos...esse nosso mundo, crescemos e cada vez mais entendemos que a maioria não quer entender mais nada, quer simplesmente tentar viver (ou sobre). Os poucos que restam com um pouco mais de "coerência vital" são dados como anarquistas, foras da lei ,esquerdistas ou até mesmo vagabundos...muito foda isso! Agora se você é um escravo do sistema, fichado e chamado pelo número e não pelo nome...ah ...aí sim, cidadão exemplar, contribui para que o cego-tirano-mercenário governo continue a drenar todas as cores da vida, deixando apenas uma ou duas..quer outras? compre-as!
Como dizia Chico Science:
"É o povo na arte, é a arte no povo... e não o povo na arte de quem faz arte com o povo..."

 
At 27 de janeiro de 2009 às 03:34, Anonymous Leandro Pinto said...

Resposta para Fiume420:

Olavo de Carvalho, Vicente Ferreira da Silva, Gustavo Corção, Miguel Reale, Mário Ferreira dos Santos, Antonio Paim.

Neste pequeno grupo de filósofos brasileiros encontrei temas, conceitos e pesquisas que não estão comprometidos com a visão de mundo marxista-leninista-gramsciana que solapou a maioria dos intelectuais brasileiros.

O ambiente cultural brasileiro ignora a maior parte das idéias que ultrapassam os estreitos limites do materialismo histórico, psicanálise, darwinismo, linguística estrutural, desconstrucionismo, existencialismo, estruturalismo, pragmatismo e positivismo.

É verdade que Lins Caldas tem um trabalho (sobretudo em História Oral e Teoria da Literatura) que se situa, num certo sentido, na contra-corrente das idéias dominantes que formam a hegemonia do ambiente universitário brasileiro, mas a visão global em que se situam estas propostas não sai da esfera do marxismo (que em Caldas é marcada pela "ontologia do ser social" do filósofo húngaro Lukacs).

O problema, na verdade os problemas do marxismo não são coisas que Olavo de Carvalho tenha descoberto ou denunciado pela primeira vez. Na verdade ele está longe de ser um pioneiro na crítica ao pensamento de Marx.


Resposta para Luiz:

diga-me propriamente o que foi que eu disse que é um "absurdo". Se você se refere ao fato de a violência não ser um comportamento que possamos atribuir a um sujeito, mas apenas ser um "sintoma" da sociedade doente, eu digo que esta idéia é que é realmente um absurdo, pois o seu corolário é que, por exemplo, o "maníaco do parque" não é o autor da morte daquelas mulheres que ele matou, e sim que a autoria dos crimes deve ser imputada à sociedade injusta.

Devemos ser mais cuidadosos na forma como empregamos o termo "injustiça social". Jamais a injustiça social, por mais corrupta que seja uma sociedade, pode se tornar um critério que concede indulto aos que praticam atos criminosos e lesivos aos direitos humanos.

Reinhold Niebuhr escreveu que "a essência do esforço moral consiste em tentar ser justo numa sociedade injusta". Eu aposto que essa é a mesma atitude de Gandhi, Martin Luther King, Sócrates, Joaquim Nabuco ou qualque outro HOMEM digno de respeito.

 
At 27 de janeiro de 2009 às 21:17, Anonymous Luiz said...

Ah, quantas citações, quantos nomes, quanta eloquência, quanto blá blá blá...

É engraçado como você situa a esfera de influência de Marx, Lenin, Gramsci (sem esquecer de Sartre, Marcuse, Trotsky...) dando a entender que eles só influênciaram o tal "ambiente cultural brasileiro".

Meu caro Leandro Pinto, será que você pensa que todo o resto do Mundo, a Europa, a America Latina é TFP assím que nem você? Devo te alertar que não é bem assim.

Mas vou perguntar para você mais uma vez: Você tá tirando um sarro da gente com todo esse papo de Olavo de Carvalho, Plínio Salgado?

Será que você em vez de falar "Oi, bom dia" fala ANAUÊ?

 
At 28 de janeiro de 2009 às 20:47, Anonymous Leandro Pinto said...

Luiz, a influência do Comunismo é imensa em várias partes do mundo... isso é incontestável e em nenhum momento sugeri que, pelo fato de o ambiente acadêmico brasileiro estar emporcalhado de comunismo, outras partes do mundo não o estejam...

Quanto a Sarte e o existencialismo, deve-se notar que saíram de moda no meio intelectual francês já faz muito tempo... pessoalmente, eu concordo com vários aspectos do pensamento de Sarte...

Marcuse e a escola de Frankfurt não podem ser vistos como simples extensões da teoria social e política de Karl Marx... Marcuse em particular foi muito influenciado por Freud e, numa segunda etapa de suas idéias, pelo ecologismo radical que apareceu na Alemanha entre os anos 60 e 70...

Não sou filiado a TFP, nem estudei a fundo este movimento... me acusar disso já dá mostras de uma reduzida capacidade de entender o espectro político, como se só existissem duas maneiras de encarar os problemas sociais e políticos... como os comunistas se identificam com o Bem, qualquer crítica ou contestação a suas idéias é vista como o Mal, que o digam os milhões de mortos, presos, torturados e escravizados no Gulag Soviético, no Tibet, em Cuba, na Tchecoslováquia, etc...

Não estou tirando sarro de ninguém, e se você confunde Olavo de Carvalho com Plínio Salgado é porque não entendeu nada do que o primeiro escreve ou diz no seu programa de rádio...

Não faço parte do movimento integralista, geralmente associado ao fascismo pela maioria dos intelectuais brasileiros, que se esquecem que, com a implantação da ditadura do Estado Novo (esta sim de caráter nitidamente fascista), Plínio Salgado foi para o exílio e muitos integralistas foram presos...

Por detrás das aparências e semelhanças formais entre integralistas e fascistas (por ex. o modo de se cumprimentar com a mão aberta e o braço erguido ou o uso de uniformes) há uma enorme diferança ideológica entre os dois. Basta lembrar que Plínio Salgado era um católico praticante, que até escreveu um livro sobre a vida de Jesus Cristo, enquanto que Mussolini era anticlerical, talvez ateu, com um passado de socialista radical (coisa que Plínio jamais foi).

Anauê, como você certamente deve saber, não é uma saudação que significa submissão a um chefe, um líder, seja ele um "dulce" ou um "fuhrer". Significa, em tupi-guarani (o nheengatu dos jesuítas), "você é meu irmão".

 
At 28 de janeiro de 2009 às 23:48, Anonymous Luiz said...

Eu, ficar lendo livro de Olavo de Carvalho ou ficar ouvindo ele no rádio? ex-comunista, ex-astrologo, ex-primeira leitura...Vai dizer que você também acha o Paulo Coelho jóinha! kkkkkkkkkkkk

 
At 29 de janeiro de 2009 às 00:50, Anonymous Leandro Pinto said...

Luiz, afirmo que vale a pena conhecer as idéias do cara.

Começe pelo texto sobre Epicuro e Marx (que eu mesmo não concordo sob certos aspectos), que você encontra no site olavodecarvalho.org

Neste texto ele faz uma crítica às teses sobre Feurbach de Marx, em termos muito bem fundados... não é uma crítica absurda, mas que levanta problemas conceituais do marxismo que possuem consequências políticas consideráveis...

A noção de transformar o mundo não pode ser o essencial da atividade filosófica, na medida em que isso signifique uma perda de compreensão do mundo ou de si mesmo... se o problema metafísico da realidade é a priori descartado em prol de uma práxis revolucionária, você perde o sentido de integralidade do cosmos, que passa a ser visto como mera projeção e modelização de uma "exterioridade" pelas "relações sociais"... o cume deste pensamento é conceber a realidade como mero efeito de causas históricas, que, a partir de um processo de "tomada do poder" podem ser controladas e administradas... em suma, a questão não é mais conhecer a realidade, mas sim dominá-la - é este objetivo o que Olavo critica no marxismo...

O anticomunismo ferrenho de Olavo se baseia não num a priori, numa pré-noção, mas na história social e política dos regimes de Stálin, Mao, Fidel, etc... não querer ver o horror, a perseguição, a tirania, os campos de concentração, os genocídios que estes regimes comunistas geraram é cair num processo de auto-engano...

Eu mesmo, por muito tempo, atribuía os horrores do stalinismo a uma espécie de desvio da pureza ortodoxa do pensamento de Marx e Engels. Mas eu estava errado, o stalinismo é uma consequencia inevitável de se colocar em pratica a idéia de "ditadura do proletariado". Não há como alguém ser comunista sem ser ao mesmo tempo um defensor de práticas autoritárias de governo. O comunismo, por fim, não é nem mesmo uma filosofia política, mas apenas uma estratégia de luta pelo poder. Como é que podemos achar que pessoas tão ambiciosas pelo poder sejam honestas e decentes?

Palavras de Olavo de Carvalho: "Nenhum comunista merece consideração, nenhum comunista é pessoa decente, nenhum comunista é digno de crédito."

Pra encerrar, eu nunca li Paulo Coelho, se vc quer mesmo saber...

 
At 29 de janeiro de 2009 às 20:12, Anonymous Anonymous said...

Tô achando que esse cara aí É o tal de Olavo de Carvalho...

 
At 1 de fevereiro de 2009 às 16:08, Anonymous Eu Ovo said...

Leiam o Imbecil Coletivo do Olaavo de Carvalho - mas escutem o afrobeat paraibano do Burro Morto (postado ai embaixo do texto do Lins Caldas).

 

Postar um comentário

<< Home